Profumo di donna..

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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Li outro dia trechos do livro de memórias escritos por Napoleão quando, miseravelmente abatido e doente, aguardava a morte na ilha de santa Helena. Napoleão me impresssiona pela genialidade militar ou pela grandesa histórica. O que realmente me admira NELE, SÃO SUAS OBSERVAÇÕES Pessoais e amorosas. Napoleão voltando de alguma campanha no exterior, mandava avisar Josefina. O libidinoso general queria que ela parasse de tomar banho para recebê-lo com cheiro de mulher. cheiro de mulher. Não há essência que se compare remotamente em poder de arrebatamento ao cheiro de mulher. Napoleão tinha toda razão. A sorte da multibilionária indústria de perfumes femininos é que as mulheres não concordão com Napoleão. E gastam muito dinheiro para alterar o melhor cheiro do mundo.(Em italiano a frase soa melhor. Profumo di donna, nome de um filme italiano do qual lembro apenas isso mesmo, o nome. Há uns anos Alpacino foi o protagonista de uma filmagem.)
De um modo geral, quanto menos a mulher se afasta dela mesma, tanto melhor. Seios naturais, de qualquer tamanho são melhores que os de silicone. Cabelos naturais são melhores que cabelos falsos. O cheiro pessoal e intransferível de cada mulher é melhor que o melhor perfume.
Mas o que mais me tocou na leitura do memorial de Napoleão foi uma frase que li no prefácio.
Não era exatamente uma reflexão amorosa, mas se presta com perfeição as histórias de amor. Acho que o prefácio era de Malraux, mas não estou certo. Como alguns sabem, minhas certezas são raras, cada vez mais raras.
A frase dizia mais ou menos o seguinte: Tudo que restava a Napoleão, quando decidiu escrever seu relato em Santa Helena, era lutar pela posteridade. Era sua luta mais importane. Mais que Waterloo, mais que Austerlitz, Mais que qualquer outra. A luta pela posteridade. As palavras podiam fazer por Napoleão o que a espada não conseguira. E fizeram.
Napoleão venceu a luta pela posteridade. A imagemdo grande corso era ensolarada...
Lutar pela posteridade. Ás vezes não restam mais opções que essa para o homem e a mulher. É uma situação típica dos finais de caso. O amor ja foi derrotado, inapelavelmente derrotado, como Napoleão em waterloo, e mesmo assim a gente segue cegamente em frente num caminho de sofrimento, angústia, agressões, humilhações. E então Perdemos a luta pela posteridade. A imagem que guardamos de um caso de amor que teve tantas coisas sublimes fica irremediavelmente danificada como uma fotografia cortada.
é preciso ter coragem para reconhecer quando não resta mais que a luta pela posteridae num romance. Somos sempre tentados a ir adiante, naesperança caótica e vã de ressucitar o que está morto.
Eu perdi algumas lutas pela posteridade. Tenho derrotas doídas em minha história. Lamento o erro histórico de não ter me recolhido a minha Santa Helena particular em certas ocasiões.
Saber a hora de terminar o romance em nome da posteridade talvez seja a forma mais sublime, e mais difícil de sabedoria amorosa. Admitir que o único porto que resta é Santa Helena exige coragem de Napoleão...

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